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Archive for julho \24\UTC 2006

Lost

Eu sempre tive uma arca, mas nunca achei uma chave que desatasse todas as fechaduras e trancas que nela haviam. Pra abrir este instrumento tão bem desenvolvido, tão simples como estourar um cadeado parece, mas esta arca não é tão simples, não parece ser deste lugar, disto eu tenho certeza, pois por váras vezes achei chaves que até serviram, mas não destrancaram todas as combinações.
Olhando, parece simples. Qualquer larápio de dedos leves poderia conferir o seu interior. Mas já tentei de várias maneiras, e como não obitive êxito, deixei-a guardada.
Uma vez achei uma chave. Nela estava escrito “Felicidade em Doses Pequenas”. Tentei e ouvi alguns “clicks” de fechaduras se abrindo. A emoção tomou conta de mim, por que enfim poderia tomar conhecimento do que poderia estar guardado ali dentro com tão complicadas trancas, e finalmente poderia ver o que foi reservado para mim.
Mas depois de um tempo, os “clicks” começaram a virar “clocks”, e mais travas surgiram. A arca estava fechada novamente e com mais combinações ainda.
Fiquei decepcionado, e por um longo tempo desisti de procurar por chaves que pudessem abri-la. Desisti também de conhecer o seu interior. E ela, a arca, ficou encostada, esquecida no fundo de um armário.
Por um longo tempo permaneci feliz e contente, aproveitando as altas e baixas da vida. Mas mais que inusitadamente, a vida me coloca outra vez de frente com uma chave estranha. Esta chave não era daqui. Viajou muitos quilômetros para chegar as minhas mãos, e nela estava escrito outra frase. “Não se apegue a coisas inesistentes”. Era uma chave grande e bonita, de tom escuro. Então, resolvi tentar novamente abrir aquelas trancas tão bem feitas e complicadas e novamente fiquei apreensivo. Já havia esquecido da decepção que a primeira chave me havia feito passar. Mas quando estavam começando a se fazer os “clicks”, a chave foi tirada de mim. Até os tempos de hoje, não sei o paradeiro dela, e talves a tente de novo se achar.
Mas depois de frustrado, procurei rapidamente por outra, mas ao contrário das outras duas, esta só fez “clocks”, e quando percebi isto, já era tarde. Todas as trancas voltaram a se fechar. Arranquei rapidamente, pois poderiam se formar novas fechaduras como na primeira tentativa, e se tornaria cada vez mais difícil abrir a arca.
Fui ficando cada vez mais curioso e interessado em procurar novas chaves. Umas nem entraram. Outras até entraram na fechadura, mas não giraram, me enganando e me deixando ainda mais frustrado. Mas finalmente, depois de muito garimpar e procurar, encontrei acidentalmente esta chave. Confesso que deu trabalho, pois em vários momentos tive vontade de atirá-la para lonje e em outras vezes, tive a senssação de que a havia perdido, mas felizmente, todas as trancas haviam feito somente “clicks”, e então finalmente poderia contemplar o que haveria dentro.
Nesta chave estava escrito que “As coisas difíceis são as realmente boas”, e era um momento tão especial, tão emocionante que compartilhei com todos que eu conhecia que finalmente tinha terminado minha busca. Mas conselhos me obrigaram a não ver o seu interior, a deixar como estava, pois eu poderia muito me decepcionar, e o medo então tomou conta e tranquei novamente a arca. Fico até hoje sem saber, mas tudo que sei é que esta chave, tão preciosa agora que me dei conta do que poderia estar ali na arca, está em poder de um monarca, tão bem guardada como um troféu, que gosta de que todos olhem e admirem e elogiem o quão belo é este troféu. Ninguém jamais poderá tocar esta chave novamente e sentir o seu desenho tão belo. Talvez seja impossível tirá-la dali, mas ficarei sempre apreensivo e de olho por aí. Quem sabe ainda consiga reavê-la para enfim descobrir o que a minha arca me reserve.
Enquanto isso, vou procurando por aí, atrás de chaves de formas diferentes, as vezes com o mesmo desenho, mas que não brilha tanto como aquela brilhava.

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